Setor acumula quedas expressivas enquanto negociações avançam; FPMAQ segue empenhada por solução definitiva
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de suspender a sobretaxa para parte dos produtos agrícolas brasileiros trouxe sinais iniciais de distensionamento entre os dois países. Mas, para a indústria brasileira de máquinas e equipamentos, o cenário permanece desafiador: o setor continua sujeito à tarifa de 50% aplicada às exportações para o mercado americano, uma barreira que vem provocando forte retração nas vendas e insegurança no planejamento das empresas.
Em reportagem da TV Bandeirantes, o presidente executivo da ABIMAQ, José Velloso, destacou que, embora o ambiente político esteja menos tenso, a solução ainda não chegou para a indústria de bens de capital.
“O fato é que as coisas pararam de piorar e começaram a melhorar, e o distensionamento entre os dois países já é uma realidade.”
A avaliação aponta para avanços importantes nas tratativas bilaterais, mas também evidencia que o eixo industrial ainda não foi incluído nos acordos recentes, permanecendo sob impacto direto do tarifário.
Perdas significativas e impacto imediato no setor
Desde o início das sobretaxas, a indústria de máquinas registra uma queda expressiva nas exportações aos EUA — principal destino das vendas externas do setor por décadas.
Algumas empresas, segundo a própria reportagem, interromperam completamente o planejamento de exportações por falta de novos pedidos, já que a tarifa de 50% torna os produtos brasileiros incapazes de competir no mercado americano.
Diferentemente de produtos agrícolas ou commodities, a indústria de bens de capital trabalha com certificações técnicas específicas, cadeias de fornecimento complexas, clientes desenvolvidos ao longo de anos e produtos altamente customizados. Essa realidade torna praticamente inviável o redirecionamento imediato para outros países.
O prejuízo é direto: menos vendas, menos produção, menor utilização da capacidade instalada e queda de competitividade global.
FPMAQ atua para garantir que o setor seja incluído na próxima etapa das negociações
A Frente Parlamentar da Indústria de Máquinas e Equipamentos (FPMAQ), que acompanha de perto toda a movimentação entre Brasília e Washington, reforça que o setor não pode ficar para trás.
A FPMAQ segue atuando junto ao governo brasileiro, aos Ministérios envolvidos e às representações diplomáticas para que o Brasil leve à mesa de negociação a importância estratégica da indústria de bens de capital — setor que gera tecnologia, produtividade e encadeia toda a cadeia manufatureira nacional.