National Congress on a sunny day in Brasília, DF, Brazil on August 14, 2008.
Setores como o agrícola, o petrolífero e o de infraestrutura devem mostrar dinamismo em 2026, segundo a Abimaq
O setor de máquinas e equipamentos pode crescer até 8% em 2026. O desempenho, se concretizado, será o mesmo de 2025, período em que o faturamento deve ter tido alta da mesma magnitude. As previsões são da Abimaq, entidade que representa os fabricantes e que publica até o fim deste mês dados e projeções consolidados para o setor.
“Com uma taxa de juros a 15%, crescemos 8% [em 2025]. Crescemos bem, mas vendemos 35% menos do que já vendemos 10 anos atrás. É desafiador? É desafiador, mas é um setor que mostra resiliência”, afirma José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, em entrevista ao Valor.
Segundo a previsão da entidade, a alta de 2025 deve resultar em faturamento de R$ 300 bilhões e a de 2026, que deve variar entre 5% e 8%, de R$ 315 bilhões a R$ 325 bilhões.
Velloso diz que contribui para as altas a base de comparação baixa, comparado ao patamar que o setor já chegou a faturar no passado, além da demanda por investimentos em setores como o agrícola, o petrolífero e o de infraestrutura, sobretudo em áreas de saneamento e de construção, segmentos que devem mostrar dinamismo em 2026.
“Mesmo com juros [altos], alguns setores vão investir no segmento neste ano. O ano eleitoral geralmente é um ano em que há bastante investimento em infraestrutura”, afirma.
As exportações do setor tiveram bom desempenho em 2025. Segundo a previsão da Abimaq, os embarques cresceram 5% no ano passado e somaram US$ 13,8 bilhões, marca próxima ao recorde histórico do setor em 2023, de US$ 14 bilhões.
As importações também cresceram, 8,5%, e somaram US$ 32 bilhões. Considerando as exportações, a balança comercial teve déficit recorde de US$ 18 bilhões. Máquinas e equipamentos da China foram os que mais ingressaram no mercado brasileiro. Aquele país respondeu por um terço das importações, com alta de 12% e US$ 10 bilhões em embarques para o Brasil.
Segundo a previsão da Abimaq, 2025 deve ter encerrado com participação de 54,5% de máquinas nacionais no consumo brasileiro, contra 45,5% de importadas. “Há 10 anos atrás os fabricantes da Abimaq tinham 70% do mercado, então é uma queda”, diz Velloso.
O impacto do tarifaço imposto pelos EUA, principal destino dos embarques brasileiros, foi menor do que a Abimaq previu. Ao todo, aquele país importou US$ 3,2 bilhões em 2025, cerca de US$ 400 milhões menos na comparação com os US$ 3,6 bilhões de 2024 — a entidade chegou a estimar que perderia mensalmente cerca de US$ 300 milhões em exportações. A participação americana nas exportações brasileiras caiu de 27% em 2024 para 23% em 2025.
Segundo Velloso, apesar de menor, o impacto do tarifaço pode ser pior em 2026, considerando que ele pode afetar todos os meses do ano e não apenas quatro, como em 2025 — as tarifas entraram em vigor já no segundo semestre. “Se a tarifa continuar em 50%, a queda vai ser maior do que 9%. Podemos ter uma queda anualizada perto ou acima de 30%, no melhor cenário”, afirma.
Ele afirma que ajuda a explicar o impacto menor o fato de que muitas empresas ainda estão cumprindo contratos que tinham. “Outra coisa é que 82% das nossas vendas nos EUA são ‘intercompany’, ou seja, a mesma empresa que vende daqui é a que compra lá, seja uma multinacional brasileira ou uma multinacional americana. Mas, à medida que os contratos forem acabando, as empresas que vendem ‘intercompany’ não vão continuar suportando o prejuízo.”
A alta nas exportações em 2025 teve a ajuda de outros mercados, que passaram a comprar mais do Brasil. Segundo Velloso, porém, isso não significa redirecionamento das vendas dos EUA para esses países. “Não tenho como pegar um produto que vendo nos EUA e vender em Singapura ou outro país, porque existem outros tipos de máquinas e outras normas a seguir. O que aconteceu não foi redirecionamento, foi aumentar outras vendas de outros tipos de produtos em outros mercados.”
Para a Argentina, segundo maior destino das máquinas brasileiras com 12% dos embarques, as exportações cresceram 38%. O presidente da Abimaq atribui a alta a mudanças na economia argentina, promovidas pelo presidente Javier Milei.
No ano passado, Singapura se tornou o terceiro principal destino de máquinas do Brasil, com alta de 74% nas exportações. Velloso atribui o resultado às importações que a Petrobras tem feito de plataformas de petróleo. “Eles (os singapurenses) compram os componentes, as máquinas, de nós e montam a plataforma com elas e depois a plataforma vem para a Petrobras.”
Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/01/18/em-ano-de-eleicao-setor-de-maquinas-e-equipamentos-pode-repetir-2025-e-crescer-ate-8percent.ghtml
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