O presidente da Frente Parlamentar da Indústria de Máquinas e Equipamentos (FPMAQ), deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP), afirmou que o ano de 2026 será marcado por importantes desafios para o setor produtivo brasileiro, especialmente em um cenário de ano eleitoral e de agenda legislativa mais curta.
Em entrevista concedida nesta semana, o parlamentar fez um balanço das principais pautas que devem mobilizar o Congresso Nacional e que impactam diretamente a competitividade da indústria. “Temos problemas e oportunidades pela frente. Será um ano intenso e precisamos estar atentos para defender o ambiente de negócios e a geração de empregos no Brasil”, destacou Lippi.
Escala 6×1 e impacto para as empresas
Entre os temas que mais preocupam o setor, o deputado citou a discussão sobre eventuais mudanças na jornada de trabalho, especialmente a proposta de revisão da escala 6 por 1. Segundo ele, a FPMAQ está levantando informações técnicas para avaliar os possíveis efeitos dessa alteração. “Se houver redução do tempo de trabalho, isso terá impacto direto nos custos das empresas, dos hospitais e dos serviços públicos. É preciso saber quem vai pagar essa conta”, alertou.
Lippi classificou a pauta como “perigosa em ano eleitoral” e defendeu que qualquer decisão seja tomada com base em dados concretos sobre produtividade e geração de empregos.
Reforma tributária em implantação
O presidente da FPMAQ também avaliou como fundamental a implantação gradativa do novo sistema tributário brasileiro, baseado no IVA. “A reforma vai trazer simplificação, transparência e redução de custos de investimento e exportação. Isso é decisivo para aumentar a competitividade da indústria nacional”, afirmou.
Tarifaço e comércio exterior
Questionado sobre o chamado “tarifaço”, que tem afetado especialmente o setor industrial, Lippi reconheceu que o tema continua sendo um dos grandes desafios de 2026. “Outros setores já conseguiram soluções, mas a indústria ainda enfrenta dificuldades. Estamos dialogando com o governo, especialmente com o ministro Geraldo Alckmin, para reduzir essas barreiras que limitaram as exportações brasileiras, principalmente para os Estados Unidos”, explicou. Apesar das dificuldades, o deputado demonstrou otimismo. “Entendemos que hoje temos um ambiente mais favorável do que há alguns meses. Precisamos retomar essa agenda para manter a presença das empresas brasileiras no mercado internacional e ampliar oportunidades também na Europa”, completou.
PPPs, Inteligência Artificial e Data Centers
Outro tema considerado prioritário pelo presidente da FPMAQ é a aprovação da nova Lei de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões, atualmente em análise no Senado. “A modernização dessa legislação é fundamental para melhorar o ambiente de investimentos no Brasil e atrair novos projetos de infraestrutura”, afirmou.
Na área tecnológica, Lippi destacou a importância da regulamentação da Inteligência Artificial. Ele integra a comissão responsável por analisar o projeto na Câmara e defende uma legislação equilibrada. “A proposta que veio do Senado é muito restritiva. Precisamos de uma lei que dê segurança jurídica, mas que também permita inovação, criação de startups e atração de investimentos”, explicou.
O deputado também ressaltou o potencial do projeto conhecido como Redata, que cria incentivos para instalação de data centers no país. Segundo ele, a iniciativa pode atrair investimentos internacionais expressivos, gerar empregos e fortalecer cadeias produtivas tecnológicas.
Armazenamento de energia e competitividade
Outra frente de atuação destacada por Lippi é a criação de um marco legal para baterias e acumuladores de energia. Para o parlamentar, o Brasil desperdiça hoje parte da energia que produz e precisa investir em soluções de armazenamento. “Isso ajudaria a reduzir custos, melhorar a eficiência do sistema elétrico e favorecer setores como o de data centers, que demandam grande quantidade de energia”, observou.
Defesa permanente da indústria
Ao final da entrevista, Vitor Lippi reforçou o compromisso da FPMAQ com o fortalecimento do setor produtivo. “Quero agradecer a todos os parlamentares e lideranças que colaboram com essa causa. Apoiar a indústria é apoiar o Brasil. Vamos seguir trabalhando para garantir competitividade, inovação e desenvolvimento para o nosso país”, concluiu.